terça-feira, 4 de junho de 2013

CLIMATIZAÇÃO DE BANANA COM ETEFON

Tradicionalmente, a climatização de banana (indução e uniformização da maturação) é feita utilizando-se carbureto de cálcio, o qual libera o acetileno, quando umedecido. A técnica consiste em empilhar as pencas, colocar o carbureto umedecido em volta das mesmas, cobrindo-as com lona plástica. O inconveniente desta técnica reside no fato de que o empilhamento causa danos na casca dos frutos pelo atrito entre as pencas, durante o manuseio. Os danos causados pelo atrito aparecem no fruto maduro na forma de listas ou manchas pretas, o que deprecia a qualidade do produto para comercialização.


Nos setores da cadeia produtiva da banana com elevada tecnificação, utiliza-se o etileno, um gás com vários efeitos sobre os vegetais, dentre os quais a indução da maturação de bananas. A técnica para utilização deste gás requer instalações sofisticadas e mão-de-obra qualificada para a correta dosagem do gás. Estes motivos tornam o acesso a esta técnica inviável aos agricultores familiares.
Uma alternativa para o carbureto de cálcio é o uso de etefon (ácido 2-cloroetilfosfônico), princípio ativo dos produtos comerciais Ethrel e Arvest, os quais liberam o etileno na casca dos frutos. Estes produtos são de baixa toxidez, faixa azul na concentração industrial. Na climatização são usados em baixíssimas concentrações, inferiores a 1%, não oferecendo riscos durante o manuseio. Eventuais resíduos que possam permanecer na polpa da banana não causam intoxicação após a sua ingestão.


O etefon, substância líquida, é de fácil uso e requer apenas um galpão simples já existente na propriedade ou construído para tal fim, água limpa sem salinidade e tanque para a submersão das bananas na solução de etefon. O tanque pode ser de alvenaria, de fibra de vidro e de plástico, os quais podem ser substituídos por tonéis. A quantidade de etefon (produto comercial contendo 240 g/L do princípio ativo) depende da concentração e do grupo de cultivares de banana.


Para o grupo Cavendish (Nanica, Nanicão e Grande Naine) e Maçã (Maçã, Enxerto, Caipira), recomenda-se 2.000 mg/L (833 mL para 100 litros de água) e para as cultivares do grupo Terra e Prata (Terra, Terrinha, Prata, Prata Anã, Pacovan, Pioneira e Thap Maeo), utiliza-se 500 mg/L (208 mL para 100 litros de água). Para o tratamento conjunto dos três grupos, utiliza-se a concentração mais alta (2.000 mg/L). Uma mesma solução de etefon mantida no tanque pode ser utilizada por mais de 200 dias, o que reduz o custo com a compra do produto comercial.


Após o despencamento dos cachos, recomenda-se a prévia lavagem das pencas em tanque contendo solução de detergente doméstico a 1% (1 litro para 100 litros de água). Esta prática dispensa o uso de espalhante adesivo na solução de etefon, além de remover o látex (“leite”) que escorre sobre as bananas após o corte das pencas, o qual causa lesões na casca que se manifestam como manchas escuras no fruto maduro. A lavagem com detergente também reduz a ocorrência de doenças. Durante a lavagem, aproveita-se para remover os restos florais da extremidades dos frutos.


Após a lavagem, as pencas inteiras ou em buquês são submersas na solução de etefon por cinco minutos. O recipiente deve ser cheio com a solução de etefon somente até 2/3 da sua capacidade, por exemplo, 700 litros de solução para um tanque de mil litros.

Quando se usa caixas de papelão, o acondicionamento das bananas é efetuado após a submersão na solução e evaporação da mesma, para evitar perda de resistência das caixas ao empilhamento. Para facilitar a operação, o tratamento é efetuado no próprio galpão de maturação, quando não se utiliza câmaras frigoríficas com controle de temperatura e umidade do ar. As pencas ou buquês da camada superior tendem a flutuar. Assim, para assegurar a uniformidade do tratamento, deve-se utilizar tampa com a superfície inferior revestida com espuma sintética para manter todas as pencas ou buquês totalmente submersos na solução.


Para o tanque de alvenaria, utiliza-se uma tampa de madeira com dobradiças e, para o tanque de fibra ou plástico e o tonel, usam-se as próprias tampas. A solução destinada à reutilização deve ser armazenada no próprio recipiente de tratamento, mantendo-o tampado para evitar perda de solução por evaporação. Apesar de a casca da banana absorver apenas pequena quantidade de solução, durante os tratamentos sempre ocorre perda da mesma quando as pencas ou caixas são removidas do recipiente.

Quando o nível não mais cobrir todas as bananas, pode-se completar o volume com solução recém-preparada na mesma concentração da anterior ou reduzir o número de pencas. No caso de se completar a solução, o descarte da mesma deve ser efetuado 208 dias após o preparo da solução anterior.


O tempo para obtenção de bananas uniformemente maduras depende da temperatura e da cultivar.




Valdique Martins Medina

Engenheiro agrônomo

medina@cnpmf.embrapa.br

Caixa Postal 007, 44.380-000, Cruz das Almas (BA)

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